O VÔO

O VÔO

                                    
Durante a “rolagem” para cabeceira da pista do Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, acompanhei os procedimentos de comunicação entre o nosso Comandante Tavares e a Torre de Controle de Vôo do Aeroporto Pinto Martins, que informavam as condições meteorológicas como, direção e intensidade do vento, até que nos posicionamos na cabeceira da pista, quando então  tivemos a autorização para a decolagem. Finalmente decolamos. Conforme o Plano de Vôo e o Manifesto (relação e altura de saída dos atletas), o primeiro grupo abandonou o avião aos 7.000 pés. O segundo grupo saiu aos 12.000 pés. Após esta segunda passagem começava aí a verdadeira missão do vôo: – Chegar a 20.000 pés de altura para um objetivo: – O RECORDE À SER ALCANÇADO.
Então, de repente, somente nos quatro restava dentro do avião. Repassamos o “check list” por mais três vezes, de forma que nada fosse esquecido, durante e após a “saída”. Após 14.000 pés o Major Mário cobrava nossa assinatura em uma tabuleta que já havíamos assinado em solo. A cada 1.000 pés que subíamos, nova assinatura. A partir dessa altitude o ar começa a ficar rarefeito e por conseqüência a dificuldade de se respirar, o que pode causar o efeito da abnóxia (falta de oxigênio no cérebro).

                                    
NA RETA FINAL

                                       

Deitado no piso do avião, com quase a metade do corpo para fora, tentando enxergar o nosso “P S” (Ponto de Saída), o qual havia sido programado no briefing na sala de aulas do Aeroclube antes da decolagem. Levávamos em conta como sempre; a intensidade e a direção do vento, que nos seria transmitido, na hora do salto, pelo Controlador de Vôo da Torre de Controle do Aeroporto “Pinto Martins”, em Fortaleza. Com a mão aberta, eu mostrava para o Major Mário o número de graus ( cada dedo = 1º ) , e para que lado eu queria a correção da reta do vôo. Pelo rádio ele passava essas informações para o piloto do avião. Quando “coloquei” o avião na “reta final”, levantei-me e após fazer uma vistoria rápida no meu pára-quedas, sinalizei aos meus companheiros mostrando-lhes que  a garrafa de oxigênio instalada próximo à porta já estava em “stand by”. A temperatura externa estava abaixo de 7º negativos e por conseqüência, dentro do avião era a mesma, já que voávamos com a porta aberta.

            
CHEGOU A HORA

        
À POOORTA !!! (Uma expressão que todos Pára-Quedistas do mundo conhecem bem) … Gritei com toda força dos meus pulmões, chamando meus três companheiros: Jet Ring, Aldenir e o Fuca (todos também instrutores de pára-quedismo e com mais de 600 saltos cada). Finalmente havia chegado a hora do grande momento, O SALTO.
Quando se aproximaram da porta, na cauda da aeronave, fiz-lhes o sinal de que estávamos na RETA FINAL e que em menos de trinta segundos abandonaríamos o avião. Por voarmos com a porta do avião aberta, o barulho dos motores era ensurdecedor. Nossos ALTÍMETROS acusavam 10.000 pés. Só que o ponteiro já havia dado duas voltas no sentido horário durante a subida. Portanto, sabíamos que o ponteiro iria passar duas vezes pela “faixa vermelha” (2.500 pés) no painel, durante a queda-livre, e isso nos incomodava. Nosso batimento cardíaco estava muito acima dos 150. Nossa adrenalina? Nem se fala. Imagine você. Conforme nosso briefing em solo, o  primeiro a tomar posição de saída foi o Aldenir. Com as duas mãos vestidas com luvas e espalmadas na parte de fora da fuselagem do avião. Aguardava o meu comando. Seu olhar estava tenso e fixo no horizonte. Eram 16,20 hs daquele domingo inesquecível. 20.000 pés, abaixo de nós, o Aeroclube do Ceará, em Fortaleza, conhecido como “Alto da Balança”, lotado de gente ansiosa, tentando enxergar “os quatro pontinhos pretos” no espaço. Em nosso briefing no solo, havíamos programado uma saída individual, para nos encontrar durante a queda. O Aldenir seria seguido pelo  Fuca, depois o Jet e por último, eu. Nossa adrenalina estava no limite, apesar de sabermos que era por ela que estávamos ali, pois não tínhamos a menor idéia do que nos esperava durante a queda.
Aos 20.000 pés de altura estamos em uma zona rarefeita e portanto não temos um “colchão de ar” que nos ofereça uma resistência ao avanço, para que possamos tomar uma posição de queda em equilíbrio e então voarmos uns de encontro aos outros para a formação programada “Estrela de Quatro Pontas”.

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